Crédito da imagem: Brazzale
Você sabia que os gases emitidos pelos bovinos causam mais danos para o efeito estufa do que a emissão dos carros? Então já pensou que interessante seria criar um “filtro” para que a atmosfera receba menos destes gases? E este filtro já existe. É chamado de Sistema Silvipastoril ou pecuária-floresta, é possível e viável, segundo pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Cassilândia, em parceria com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, Campus Salinas, e com a Agropecuária Ouro Branco, empresa do grupo italiano Brazzale, localizada no município de Bandeirantes-MS.

Este sistema é capaz de contribuir para a captura de carbono, a menor emissão de óxido nitroso e a diminuição da emissão de gás metano pelos ruminantes, gases que são importantes componentes no efeito estufa. Ainda contribui para a proteção do solo contra a erosão, a recuperação de pastagens degradadas, a ciclagem de nutrientes e a melhoria na conservação da água, produzindo assim uma carne ecologicamente correta.

A fermentação entérica produzida pelos bovinos ocorre na ruminação, por isto o gás sai pela boca, como uma forma de arroto.

Segundo a professora da UEMS, Giselle Feliciani Barbosa e o professor do IFNMG, Wolff Camargo Marques Filho coordenadores da pesquisa, o mercado tem procurado produtos obtidos de forma ambientalmente adequadas. O que é encontrado nos sistemas silvipastoris onde são colocados juntos: animais, espécies de árvores e forrageiras (plantas para alimentar o gado). Além disso, animais criados neste sistema têm um menor risco de estresse térmico devido à sombra das árvores, favorecendo o bem-estar e a expressão do máximo potencial genético dos animais.

“O trabalho comprova que o sistema silvipastoril tem uma alta capacidade para neutralizar Gases de Efeito Estufa emitidos pelo gado, além de que com ele os valores das taxas de retorno econômicas são mais estáveis, apresentando sempre taxas mais altas do que a pecuária”, ressalta a pesquisa.

Estes resultados foram possíveis graças a pesquisa realizada desde 2014, em 660 hectares da fazenda Agropecuária Ouro Branco Ltda., em Bandeirantes, onde foi implantado o Sistema em que integrou bovinos ao plantio de eucalipto e pasto.

De acordo com o sócio administrador da fazenda, Vittório Maronese, a pesquisa de 2014 mostrou o aumento da produção de pastagem, diferente do que outras publicações diziam, contudo não foi possível avaliar o crescimento animal.

“Mas o mais interessante foi que comprovou que a área com 660 hectares de eucalipto compensa a emissão de 18 mil cabeças de gado, ou seja, o sistema é sustentável. Na época da pesquisa a área tinha 3,5 mil cabeças de gado, então além de absorver o gás do efeito estufa, fornece oxigênio para o ambiente e produz uma carne sustentável”.
Atualmente, a pesquisa está em uma segunda etapa, a fazenda aumentou a área total do sistema silvipastoris para 910 hectares, para que se possa acompanhar o desempenho dos animais e a qualidade da carne desde o início.

“Pois acreditamos que possa haver uma redução dos ácidos graxos, que fazem mal a saúde humana. Este sistema trouxe vários benefícios: houve aumento da matéria orgânica do solo, aumento da produção de pastagem, e diferente do que falam, as plantas não tem competitividade entre si, tanto que na época de seca o pasto está verdinho onde tem eucalipto, por conta da retenção de água”.

“Com a implantação não houve aumento de gastos, mas uma segunda renda para a fazenda, pois além da produção de carne há a produção de madeira”.

Para Maronese, a parceria com a UEMS e com o IFNMG possibilitou mensurar e comprovar o que era visível. “Fazemos parte de uma empresa italiana e os resultados tiveram muito impacto lá, porque mostramos que pode ter aumento na produção sem desgastar o meio ambiente e com menor impacto ambiental. Lá na Itália eles trabalham com leite e são muito sensíveis a esta parte ambiental, aqui é com a carne”, ressaltou.
Integrantes e parcerias

O projeto, intitulado Sustentabilidade Produtiva em Sistema Silvipastoril, é uma parceria entre docentes da UEMS, unidade de Cassilândia, Curso de Agronomia, (Profª. Giselle Feliciani Barbosa, coordenadora) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, Campus Salinas, Curso de Medicina Veterinária (Prof. Wolff Camargo Marques Filho, coordenador) com a Agropecuária Ouro Branco, uma empresa do grupo italiano Brazzale, localizada em Bandeirantes-MS, representada pelo nutricionista animal, Vittório Maronese.

A pesquisa em andamento conta ainda com a participação da professora. Simone Cândido Ensinas, também da Unidade de Cassilândia, e com a colaboração de acadêmicos do curso de Agronomia da Unidade, do curso de Medicina Veterinária do IFNMG/Salinas e do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Católica Dom Bosco (UCBD). O projeto inicial contou com a colaboração de professores e acadêmicos da Universidade Anhanguera UNIDERP e da Embrapa Gado de Corte. Novas parcerias estão sendo firmadas com pesquisadores da Universidade de Udine e Pisa, na Itália.