Professor usa grupo no WhatsApp para reforçar atividades de inglês

Professor usa grupo no WhatsApp para reforçar atividades de inglês

Por: Eduarda Rosa | Postado em: 07/02/2018

Unir o WhatsApp e as aulas de inglês pode dar certo? Pode sim. O professor Geiser Wellington Barreto Jonusan durante o seu mestrado em Letras na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande, inseriu o aplicativo para promover interação entre os alunos nas atividades extraclasse, com uma turma do Centro Estadual de Línguas e Libras Professor Fernando Peralta Filho.

Isto porque percebeu-se o fácil acesso dos estudantes a redes sociais e distintos aplicativos, “acreditamos que a inserção de práticas linguísticas e fonéticas num aplicativo aproximaria os alunos ao processo educacional”, ressaltou Geiser Jonusan. No trabalho refletiu-se sobre a possibilidade de inclusão dos celulares como instrumento agregador do processo de ensino e aprendizagem da língua inglesa, mesmo com a resistência nas escolas públicas na liberação desses aparelhos.

A busca por novas formas de interação para o ensino do inglês se faz importante, já que apenas 5,1% da população de 16 anos ou mais afirma possuir algum conhecimento do idioma inglês no Brasil, segundo pesquisa divulgada em 2013, elaborada para o British Council pelo Instituto de Pesquisa Data Popular.

Uma turma do último módulo do curso de inglês comunicativo, com 12 alunos, participou da ação enviando diariamente, durante dois meses, um áudio com uma pergunta na língua inglesa para o grupo criado no WhatsApp e os demais inclusos no grupo interagiam com as perguntas, respondendo por áudio.

“Vemos o uso dos recursos digitais no processo de ensino como um processo integrador, que possibilitaria uma prática extraclasse mais fácil, prazerosa e ágil para muitos alunos. O uso desse aplicativo foi explicado em uma aula e dito que seria usado extraclasse, como forma de prática, imersão e aperfeiçoamento da língua alvo. Acreditamos que todo processo foi válido e podemos aprender muito com a interação entre alunos-alunos e alunos-professor. ”. 

No trabalho, o professor também elencou algumas dificuldades que podem ocorrer no trabalho, como: o docente ter que monitorar e responder as suas mensagens de forma instantânea; o celular ser visto como uma ferramenta apenas de entretenimento; e a falta de bateria nos celulares dos participantes, não ter crédito, a companhia de distribuição de rede está sem sinal, ser roubado e não ter condições de adquirir outro celular entre outros motivos.

O aluno do curso, Salvador da Costa Dantas Junior, de 33 anos, contabilista, conta que o grupo para a troca de informações e interação referente às aulas trazia contribuições imediatas. “Nosso professor, Geiser, sempre nos estimulava trocando informações e assuntos em inglês conosco, isso gerava sempre troca de novas informações e também fixação de conteúdos da língua. A contribuição é imediata, pois, ao passo que você pratica e aprende, o professor Geiser sempre estava à disposição tanto para ensinar quanto para corrigir as nossas informações”.

Para o professor, Nataniel dos Santos Gomes, orientador do trabalho, a metodologia da escola teve poucos avanços no último século, então o desafio da tecnologia é aproximar o estudante de um método que talvez ele conheça mais, por ser um nativo digital. “E aí o nosso desafio, ensiná-lo a usar de forma crítica, a pensar a respeito disso, discorrer sobre o que é possível ou não. É um ensino de conscientização, de criticidade e de responsabilidade transformando algo que ele use pura e simplesmente para diversão numa ferramenta de ensino, por isso que a gente desenvolveu este trabalho do uso do Whatsapp para o ensino especificamente do ensino de línguas”, explicou o docente da UEMS.

O trabalho foi transformado no livro “WhatsApp e o ensino de inglês: Os recursos do aplicativo utilizado por mais de um bilhão de pessoas no processo de ensino-aprendizagem” e está disponível aqui para aquisição.


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