Iniciativa de Voluntárias em Dourados se Torna a “Corrente do Bem” no combate ao Coronavírus

Por: Gisleine Rodrigues | Postado em: 25/03/2020

Na Ásia e na Europa, nos primeiros meses do ano e principalmente nos últimos dias só se falava em Coronavírus, o Brasil acompanhava a situação, contudo não havia instituído a quarentena. Víamos a população brasileira esgotando os estoques das farmácias e lojas especializadas, comprando máscaras, álcool gel a 70% e luvas, mas ainda sem saber o que fazer diante da nova doença, o COVID-19. Enquanto isso, em Dourados, no estado de Mato Grosso do Sul, a advogada e diretora de criação de moda, Bárbara Palomanes Rasslan, ficou atenta ao cenário mundial e nacional que se instalou rapidamente e começou a procurar medidas preventivas para proteger a si mesmo e sua família.

Com a velocidade dos acontecimentos, foi assim que nasceu o Projeto Corrente do Bem. Na semana passada, no dia 17 de março, Bárbara resolveu fazer máscaras de imunização para sua família porque já estavam escassas nas farmácias, ela estudou o melhor material, consultou a Profa. Dra. kelly Cristina da Silva Brabes, da Faculdade de Engenharia da UFGD (Faen/UFGD), que possui mestrado e doutorado em Alimentos com aulas em Microbiologia, para conhecer o procedimento adequado de fabricação, manuseio e higienização que deveria usar na produção e esterilização do material.

A consulta profissional e a busca de Bárbara pelo melhor material propiciaram que ela já começasse a produção das máscaras priorizando a segurança das pessoas e a qualidade do produto, fornecendo máscaras de imunização laváveis, que todos os dias precisam ser esterilizadas, até mesmo o manual de instrução da lavagem e esterilização do material é enviado junto com cada máscara devidamente embalada. Bárbara explica porque escolheu a máscara lavável: “porque eu sabia que chegaria o momento em que não haveria mais nenhum tipo disponível no mercado, por isso quis fazer uma máscara que pudesse ser esterilizada e usada todos os dias, para não haver o descarte, que manteria as pessoas desprotegidas”.

No sábado, 21 de março, “consegui realizar a primeira entrega de máscaras, 65 no total, para o Lar do Idoso. Amigas souberam e nos incentivamos a montar um grupo de voluntárias nesse mesmo sábado. Cada uma trabalha em sua casa, respeitando a quarentena”, agora o grupo trabalha ativamente para ultrapassar o número de 2 mil unidades de máscaras, relata Bárbara.

O grupo se organizou rapidamente, na proporção da urgência do momento, funções foram delegadas para melhor andamento dos trabalhos. Bárbara cita como todas as funções necessárias foram devidamente preenchidas entre as voluntárias: “Temos costureiras, pessoal do corte, logística, distribuição, e arrecadação das doações, além de uma pessoa responsável pela divulgação do trabalho do Grupo”.

Na produção das meninas, segundo Bárbara, é “tudo muito caseiro”, mas com cuidado e dedicação “temos atendido a cidade de Dourados: hospitais públicos, Unidades de Pronto Atendimento (UPA), unidade de saúde da Reserva Indígena, Polícia Militar, Guarda Municipal, Núcleo DST/AIDS, Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Hospital Municipal e Lar do Idoso”, o foco são setores da saúde e segurança pública da Cidade. A escolha dos locais a serem atendidos foi feita com “base em uma planilha de mapeamento dos locais que estão em falta das máscaras, assim entregamos nos locais na medida em que ficam prontas”.

“Passamos a contar nessa semana, de 23 de março, com o apoio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MP/MS) junto a Agepen para mobilizar os detentos a também confeccionarem máscaras de imunização”, destaca Bárbara.

Quer se juntar a Corrente do Bem? A diretora de criação de moda, explica que a ajuda necessária é através da doação de materiais para a confecção das máscaras, os itens são:

- TNT número 80 ou 100 (grosso) branco, de preferência;

- Feltro fino;

- Elástico (número 6);

- Linha para costurar.

A força tarefa desse grupo de voluntárias confirma a relevância desse trabalho, uma iniciativa que tem o apoio do Ministério de Saúde, conforme lemos em publicação do jornal Estadão, de São Paulo, onde o Ministério orienta a população a fazer suas próprias máscaras, com o uso de tecido e elástico, para deixar as máscaras descartáveis para os profissionais da saúde, visto que estão escassas. Leia mais em https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,quem-nao-tem-mascara-descartavel-faz-com-pano-diz-secretario-executivo-do-ministerio-da-saude,70003246495

Se alguém quiser doar dinheiro, o grupo recebe esse tipo de doação? Bárbara, que também é advogada, explica que “não aceitamos doações em dinheiro, porque somos um grupo de voluntárias e não uma Organização Não Governamental (ONG), por isso não podemos receber doações diretas em dinheiro”, sendo assim, as meninas compram os materiais necessários com recursos próprios e recebem doação de materiais também, afinal, “muitas lojas fecharam, e já falta material naquelas que têm nos atendido até agora”. Além dessa forma de ajuda, “mão de obra com o corte, costura e logística”, são bem-vindas.

Uma das voluntárias da Corrente do Bem é a professora da UEMS, do curso de Pedagogia, Giana Amaral, que expressou sua gratidão por participar dessa equipe e diz que “a dedicação é de todas as envolvidas”, inclusive ela divulga e convida quem queira ajudar através de sua página pessoal no Facebook: https://www.facebook.com/giana.amaralyamin

Anote aí também o telefone da organizadora da Corrente do Bem, Bárbara Palomanes Rasslan, (67) 99971-6282 e ofereça sua contribuição.

E tem mais:

Movida pelo senso de ajudar mais pessoas - onde elas estiverem - Bárbara preparou um vídeo com a receita das máscaras de tecido, como ela disse, “a procura está impressionante, até gente da Itália está pedindo a receita”.

Para quem quer ter sua própria máscara, olha só a receita da Bárbara (lista de materiais citada no texto):

“Como fazer máscara de imunização”

https://www.facebook.com/curitibatv/videos/661321881331931/


Anexos: