UEMS integra acordo de R$ 1,6 milhão entre MPMS e Usina Santa Luzia

Por: Rubens Urue | Postado em: 14/09/2020

Pesquisa busca solução sustentável para destinação da vinhaça produzida pelas Usinas em MS

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), por meio do projeto de pesquisa intitulado "Boas práticas para aplicação de vinhaça em canaviais em função de condições químicas, físicas e biológicas do Solo", coordenado pelo prof. Dr. Laércio Alves de Carvalho, integra o Acordo do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) com a Agro Energia Santa Luzia S/A no valor de R$ 1,6 milhão relativo a Termo de Compromisso de Conduta para que a usina se adeque a procedimentos de destinação da vinhaça descartada dentro dos ciclos de produção de álcool e etanol.

O Termo firmado entre a Promotoria de Justiça da Comarca de Nova Alvorada do Sul e a Usina Santa Luzia inclui a diretriz de que  a usina observe os critérios normativos para o armazenamento, distribuição e aplicação no solo agrícola de vinhaça in natura e de águas residuárias geradas a partir do processamento da cana-de-açúcar. O documento do Ministério Público Estadual prevê o pagamento estipulado em um milhão e seiscentos mil reais, que será destinado a pesquisas que serão desenvolvidas no âmbito da Universidade Estadual e, também, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) visando o estabelecimento de melhora das técnicas para a aplicação de vinhaça.

Do Projeto de Pesquisa da UEMS

A coordenação do projeto supracitado é de responsabilidade do docente da UEMS, Prof. Dr. Laércio Alves de Carvalho, atual reitor da Universidade. Também integram o projeto de pesquisa outros professores da instituição: os profs. Drs. Marcos Antônio Camacho, Eloi Panachuki, José Evaristo Gonçalves, Matheus Gustavo da Silva, Jolimar Schiavo, Vinícius Ribeiro e a Profa. Dra. Elka Élice. Também compõe o grupo o prof. Dr. Emídio Cantídio, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A pesquisa que será desenvolvida pelo grupo coordenado por Laércio de Carvalho busca uma solução frente ao problema residual nas agroindústrias canavieiras, especialmente pela quantidade de vinhaça geradas - que ameaça o meio ambiente devido ao seu alto poder de corrosão, baixo pH, alta DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), alta temperatura e grande quantidade de matéria orgânica.

"Para ver resolvida a questão ambiental da vinhaça, é necessário buscar uma utilidade para este resíduo descartado em larga escala pelas usinas sucroalcooleiras. Por ser rica em nutrientes (principalmente o potássio) e água, a vinhaça pode ser utilizada como fertilizante em áreas de plantio de cana-de-açúcar", afirma o coordenador do projeto. Frente à esta realidade, o projeto tem por objetivo geral desenvolver estudos com o intuito de subsidiar as boas práticas de aplicação da vinhaça em canaviais do Estado de Mato Grosso do Sul, sempre com vistas às legislações pertinentes ao assunto e proteção ambiental, se orientando pelas condições químicas, físicas e biológicas do solo.

Buscando uma solução ambiental para a vinhaça

Dentre os objetivos específicos, Laércio explica que o projeto trabalhará com "o mapeamento das áreas de aplicação da vinhaça, com as respectivas classes de solo. Também serão analisadas a dinâmica da vinhaça no solo em diferentes ambientes de produção, bem como será verificada as alterações das características químicas, físicas e microbiológicas destes solos, no decorrer do tempo". Um ponto que deve ser destacado, de acordo com o coordenador, é que o estudo poderá render proposição, caso necessário, de novas alternativas de monitoramento de vinhaça nas áreas de cana-de-açúcar no MS.

A metodologia do projeto "Boas práticas para aplicação de vinhaça em canaviais em função de condições químicas, físicas e biológicas do Solo" consiste em análises realizadas durante o período de 4 anos que irão considerar diferentes qualidades de solo: 1. arenoso; 2. com textura média; e 3. argiloso. "O referido experimento será realizado em unidades de usinas sucroenergéticas no Estado sob os eixos do monitoramento da qualidade química e física solo. Também vamos observar os aspectos microbiológicos nos diferentes tipos de solos e, por fim, a variabilidade da concentração da vinhaça", relata Laércio.

O coordenador enfatiza que os resultados obtidos após os 4 anos de pesquisa previstos no projeto irão apontar rumos mais corretos para o processo de destinação da vinhaça. "Encerro minha fala enquanto pesquisador e reitor. Como reitor, enfatizo que o trabalho conjunto desenvolvido no âmbito da UEMS e a Embrapa sobre essa questão renderá frutos tanto para o meio-ambiente quanto para a indústria, otimizando resultados nestes dois eixos. Isso demonstra a força de nossa Universidade. Como pesquisador, me sinto honrado em coordenar um projeto com colegas com quem trabalho desde o ano de 2005. É um projeto grande que abarcará ensino, pesquisa e extensão nos cursos das ciências agrárias ofertadas pela UEMS", finaliza Laércio.

Manejo correto da vinhaça será estudado por Grupo de Pesquisadores da UEMS


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