Professor da UEMS alerta sobre os Aspectos Psicossociais no enfrentamento do Coronavírus

Por: Gisleine Rodrigues | Postado em: 20/03/2020

Como está nossa consciência diante da realidade do Coronavírus no nosso país, no estado de Mato Grosso do Sul? Estamos colaborando para a eficácia das medidas preventivas e protetivas? Essas e outras indagações sobre os aspectos psicossociais da população são respondidas pelo professor do curso de Medicina da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o psiquiatra Dr. José Carlos Rosa Pires de Souza.

A seguir o professor esclarece em alguns passos os aspectos psicossociais fundamentais que a sociedade precisa ter para combater de forma eficaz a pandemia do Coronavírus:

  • O primeiro passo a ser feito é “voltar-se ao sentimento de solidariedade, a exemplo de algumas empresas de cosméticos do Rio Grande do Sul, que estão fabricando álcool-gel para pessoas carentes e distribuindo de forma gratuita. É tempo de termos solidariedade até para ficar longe das pessoas, incentivando a restrição do contato, termos solidariedade para permitir que apenas idosos usem o elevador e que as pessoas mais jovens não ocupem o mesmo espaço que eles”.

No caso das famílias, a solidariedade também é entender que “é preciso deixar os filhos, os netos, os sobrinhos, longe dos idosos, manter as crianças que nesse momento estão sem aula, sem contato com pessoas gripadas, com os idosos da família, porque solidariedade de verdade transpassa qualquer egoísmo”, destaca o psiquiatra.

  • O segundo passo é “desenvolver a resiliência, capacidade de enfrentamento desse stress mundial; resiliência de autoproteção, proteção dos outros; resiliência para entender que isso tudo vai passar, afinal a humanidade já passou por outras situações assim. Então, se não se deve pegar nas mãos, não vamos pegar nas mãos, se não é pra ir às aulas, não vamos; evitar sair de casa, apenas sair para o necessário; aos pequenos sinais de gripe ou resfriado, que a pessoa fique em casa”.

Uma dica relevante é se ater ao seguinte: “cuidado com o apavoramento caso seu filho fique gripado, é esse pânico que faz você levar a criança imediatamente ao hospital nos primeiros sintomas, mas, justamente, esse sentimento de culpa que te apavorou expõe mais seu filho a pegar Coronavírus no ambiente hospitalar. Esse é o momento de calma, e não de alimentar a superproteção, que gera culpa nos pais, e os leva a pensar que aos primeiros sintomas devem levar seus filhos direto ao hospital, aumentando uma histeria social crescente nesse momento”, afirma o Dr. José Carlos.

  • O terceiro passo é voltado para o papel da imprensa, o professor entende que “a imprensa precisa de programas novos, que destaque novos pontos e abordagens diferentes sobre esse momento, no sentido de não falar apenas da definição, sintomas, cuidados preventivos e protetivos, isso é importante e já tem sido feito, deve tomar cuidado para não ser alarmante e sensacionalista”.

“Esse momento é de unirmos poder público e privado, de deixarmos o ‘jeitinho’ brasileiro’ de lado e obedecermos às regras, as leis” instituídas para nossa proteção. Que deixemos de lado o individualismo e na hora de ir ao mercado “não esgotemos o estoque de nenhum alimento ou qualquer outro produto, estamos vendo pessoas estocarem alimento, comprar aos montes máscaras sem estar doentes, deixando as pessoas que estão gripadas, e os profissionais de saúde, sem proteção por faltar o produto no mercado”.

Será que estamos realmente nos beneficiando se agirmos de tal forma a comprar tudo só pra nossa casa? “Temos que seguir as recomendações dos governantes, do Ministério de Saúde, de agir e manter a cautela sobre essa situação”, responde o professor da UEMS, psiquiatra José Carlos R. P. de Souza.

O cenário atual tem propiciado situações alarmantes também na saúde mental das pessoas, como destaca o médico, “no consultório eu tenho encontrado pessoas que estão em total pânico, desenvolvendo até Transtorno Obsessivo Compulsivo por limpeza: lavando a mão a todo momento, acabam de usar álcool-gel e já passam novamente”, por isso “há de se ter muita cautela, pois se não economizarmos faltará. Então, recomendo que as pessoas ansiosas, depressivas, com insônia, que já tem uma imunidade baixa, não fiquem assistindo tanta televisão e nem acessando, por nenhum meio, ‘Fake News’, que estão disponíveis aos montes na internet ou mesmo através de pessoas com informações de fontes duvidosas. Logo, “essas pessoas não devem se expor saindo de casa, a não ser em extrema necessidade”.

  • O último passo, como estratégia de enfrentamento do stress, é “cuidar de si, dos seus, e também da sua espiritualidade, pois segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a espiritualidade é uma importante ferramenta no enfrentamento do stress de forma geral”.

Essa informação pode ser encontrada no site da OMS, no link https://www.who.int/hia/examples/overview/whohia203/en/, há também um questionário de qualidade de vida produzido pela Organização Mundial da Saúde que é voltado especialmente para destacar a importância da espiritualidade no equilíbrio da saúde humana, por nome World Health Organization Quality of Life – versão abreviada (WHOQOL).