UEMS/Paranaíba: Cursos de Ciências Sociais discutem sobre ‘A lei áurea e o mito da democracia racial’ em evento

Por: Eduarda Rosa | Postado em: 23/05/2022

Os cursos de Ciências Sociais (Licenciatura e Bacharelado), da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), unidade Paranaíba, em conjunto com os integrantes do coletivo negro Theresa Affricana e o grupo Pantaneiros Records, promoveram a palestra “A lei áurea e o mito da democracia racial”, no auditório da unidade da UEMS, no dia 13 de maio.

A intensão do evento foi sensibilizar para a necessidade de reflexão a respeito do processo histórico, político e social que envolveu o tema da abolição da escravatura no Brasil, bem como oportunizar o debate para questões que perpassam a escravidão, a abolição e que culminam nas políticas de reparação, como as ações afirmativas e as políticas de cotas para negros e negras nas universidades. O evento buscou, ainda, reiterar o aspecto crítico ao discurso colonizador do mito da  democracia racial, sob qual forjou-se a noção da identidade do povo brasileiro.

O professor, Dr. Anderson Eslie Leite de Oliveira, (UEMS) abriu a mesa com uma fala que tratou da relação da Abolição com a formação de um mercado de trabalho livre no Brasil. De acordo com o professor, os principais elementos que compuseram esse mercado foram: o escravo, o elemento nacional livre e o imigrante. Anderson abordou o  porquê da Abolição para além dos interesses ingleses de expansão dos seus produtos industrializados, e a manutenção da escravidão, ainda que sob os auspícios de uma nova reestruturação produtiva que se avizinhava, além da relação conflituosa entre os senhores e os livres e libertos, bem como a sua contribuição indireta ao regime escravocrata. 

“Busquei também elucidar a luta por direitos do trabalho a partir do começo da Primeira República (1889-1930), além da formação de uma identidade positiva do trabalhador, aliado à uma nova persona, ou perfil, dessa classe trabalhadora, fundamental na conquista dos direitos trabalhistas futuros", destacou o docente.

Em seguida, o acadêmico do curso de Ciências Sociais, Daniel dos Santos Melo, proferiu sua fala, cujo objetivo central  foi “sinalizar através dos indicadores econômicos como a condição racial se constitui como fator de privilégios para pessoas brancas, e de desvantagem para pessoas não brancas, chamando atenção que em nossa antologia racial enquanto brasileiros, ocorre um fracionamento de espaços sociais de acordo com a raça”.

Daniel Melo salientou o fato das falas que “negam a existência do racismo, ignorarem os índices de racismo, e também notícias e vivências de pessoas que denunciam o racismo, apontando que tratamos o assunto pela perspectiva sociológica e não biológica.” Ressaltou a importância de perceber o quanto a abolição ainda é recente.  “São apenas 134 anos libertação. Concluo pensando em como o antirracismo deve ser imaginado e inventado, tornando a presença de negros evidente em diversos espaços, inclusive o acadêmico, ressaltando a importância das políticas de cotas”.

Concluindo a mesa, o professor Alexandre de Castro (UEMS) ressaltou que neste dia 13 de maio aproveita-se a data histórica e, junto com a comunidade acadêmica da Unidade Universitária de Paranaíba, reflete-se sobre aspectos da história da escravidão ocorrida na região. “A exposição está fundamentada em resultado de trabalho de pesquisa realizado junto ao Cartório de Registros e Notas do Serviço Notarial e Registral do 1º Ofício do Município de Sant’Anna de Paranahyba, Estado de Mato Grosso do Sul, entre 1838 e 1888. Na ocasião destacamos dois aspectos da escravidão da nascente sociedade: enredos da “sociabilidade” entre senhores e cativos, bem como o mercado de cativos que, embora muitas vezes negados, guardam estreitas relações entre os fatos ocorridos no Brasil do século XIX, mas que ainda não haviam sido abordados pela historiografia regional. Homens, mulheres e crianças, cativos do sertão envolvidos desde o início da ocupação e na produção da riqueza desta região do Bolsão Sul Mato Grossense”, disse o professor.

Na ocasião do evento, ocorreu a exibição do clipe da música “14 de Maio”, de Lazzo Matumbi, cuja letra apresenta uma contraposição às narrativas coloniais acerca do processo abolicionista no Brasil. 

Participaram do evento, além de discentes dos cursos de ciências sociais, discentes da Pedagogia e do Direito; e estudante da UFMS, do curso de Psicologia.

Após a palestra, organizada pela gravadora Pantaneiro Records, houve apresentação cultural de Rap, Trap e Funk com sons autorais de Mc´s Paranaíba, na praça do espelho d’água em frente a UEMS.

Fotos: Júnior Tomaz ATNM/UEMS

Informações: UEMS Paranaíba


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