UEMS segue em desenvolvimento com pesquisa internacional sobre fertilizantes organominerais - UEMS

UEMS segue em desenvolvimento com pesquisa internacional sobre fertilizantes organominerais

UEMS segue em desenvolvimento com pesquisa internacional sobre fertilizantes organominerais

A pesquisa conta com convênio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e de uma empresa da área de soluções biotecnológicas

UEMS segue em desenvolvimento com pesquisa internacional sobre fertilizantes organominerais
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Na última semana de maio de 2023, o pesquisador do Travis Witt, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) esteve no Brasil para alinhar os próximos passos do convênio entre o USDA e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). A parceria iniciou em 2022 e prevê que ao longo de cinco anos sejam realizadas pesquisas conjuntas sobre fertilizantes organominerais.

A equipe da UEMS envolvida no projeto conta com os professores Tiago Zoz (coordenador do projeto), Jean Sérgio Rosset, Selene Cristina de Pierri Castilho, Leandro Fleck e Leandro Marciano Marra, todos da unidade de Mundo Novo, e o professor Cassio de Castro Seron da unidade de Cassilândia.

A parceria começou a ser desenhada ainda em 2021 devido a guerra entre Ucrânia e Rússia, que ocasionou a escassez de fertilizantes, tema que repercutiu no cenário nacional e internacional. Após algumas conversas entre o professor Tiago Zoz (UEMS/Mundo Novo) e o pesquisador Travis Witt do USDA, surgiu a ideia de realizar alguns trabalhos de longo prazo para avaliar a eficiência do uso de fertilizantes organominerais em grandes culturas.

O objetivo é reduzir a dependência de fertilizantes minerais, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos. O professor Tiago Zoz e o pesquisador Dr. Travis Witt já desenvolviam em conjunto projetos de pesquisa com algodão, mamona e soja desde 2015, e com o início da guerra, e a consequente redução de oferta de fertilizantes, este assunto recebeu atenção por parte dos dois pesquisadores. 

O convênio entre USDA e a UEMS conta com a participação da empresa Superbac, que há mais de 20 anos desenvolve e entrega soluções biotecnológicas de alta performance para os segmentos de agricultura, saneamento, óleo e gás e bens de consumo. De acordo com o gerente de PDI Agro da Superbac, Edner Betioli Junior, a Superbac foi a primeira empresa a revolucionar o seguimento de nutrição de cultivos pela adição de biotecnologia ao fertilizante sólido.

" O ineditismo da Superbac deve-se ao Smartgran, o primeiro e único produto do mercado a ser registrado no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) como condicionador biológico de solo. O Smartgran está presente em todas as fórmulas da linha de nutrição de cultivos da Superbac (Supergan, Supergan Plus e Organfós) e consiste em um pellete orgânico enriquecido com as bactérias inteligentes da Superbac, as Smartbacs. Como o próprio registro sugere, trata-se de uma tecnologia capaz de condicionar biologicamente o solo, com consistência de resultados que vão do aumento da atividade e diversidade biológica do solo, aumento da atividade enzimática do solo ao aumento da eficiência do aproveitamento dos nutrientes para as plantas, fatores determinantes para o aumento da produtividade das culturas", explica o gerente de PDI Agro, Edner.

Desenvolvimento da pesquisa

O planejamento do projeto envolve pesquisadores das três instituições, na safra 2022/2023 foram implantados três experimentos similares. O primeiro foi implantado em uma área comercial no município de Maripá – PR, em um solo classificado como muito argiloso (77% de argila), o segundo experimento foi implantado também em uma área comercial no município de Mundo Novo – MS, em um solo classificado como arenoso (15% de argila). Ambos os experimentos foram cultivados primeiramente com soja, agora seguem com milho e sorgo. Além desses dois experimentos, um terceiro experimento com a cultura do trigo foi implantado em El Reno, estado de Oklahoma nos Estados Unidos. As avaliações e a colheita ocorreram no mês de maio, e agora será implantado soja na área.

Experimento com milho em Maripá-PR - Fase inicial

Experimento com soja em Mundo Novo - MS

Experimento com trigo nos Estados Unidos na fase mais avançada.

Experimento com trigo nos Estados Unidos

Nos três experimentos em ambos os países, os tratamentos são os mesmos. Nas parcelas em que foi aplicado fertilizante organomineral no primeiro cultivo, continuará sendo aplicado fertilizante organomineral nos próximos cultivos; da mesma forma ocorrerá para o fertilizante mineral. Ao fim de cada cultivo, as características de planta, teor de nutrientes na folha e produtividade são avaliados, além disso, análises químicas, físicas e biológicas do solo também são realizadas. O planejamento da equipe é conduzir estes ensaios por 10 anos.

Emissão de CO2

O estudo das emissões de CO2 com a utilização dos diferentes fertilizantes também é um dos objetivos da equipe. Este projeto de pesquisa faz parte de uma das linhas de pesquisa do Centro de Estudos e Inovações em Sequestro de Carbono – CEISCO, e ao longo dos 10 anos do projeto de pesquisa, espera-se quantificar a potencial redução nas emissões de CO2 com a adoção do fertilizante organomineral, o que está diretamente relacionado com o pagamento de créditos de carbono ao produtor rural.

A temática do projeto também está alinhada às principais políticas públicas estaduais para gestão ambiental, como o Plano Estado Carbono Neutro em 2030, além de que os resultados obtidos podem ser usados como métricas que comprovem a adesão e comprometimento com às campanhas “Race to Zero” e “Under2° Coalition”; e a execução do Mapa Estratégico de Mato Grosso do Sul, um Instrumento da Gestão que orienta a Gestão para Resultados no estado.

Visita ao Brasil 

Entre os dias 25 e 28 de maio, o pesquisador Dr. Travis Witt conheceu as instalações da empresa parceira e alinhou com a equipe da UEMS e demais parceiros os próximos passos do projeto.

Os pesquisadores foram recebidos na Superbac pelo Diretor de Inovação Giuliano Pauli, pelo Gerente de PDI Agro Edner Betioli Junior e pelo Pesquisador Jean Carlo Oliveira, na ocasião foram apresentados resultados de pesquisa da Superbac, definidas as próximas etapas dos experimentos, e também realizada uma visita à fábrica que é a maior de bioinsumos da América Latina.

Visita do pesquisador americano e professor Zoz na Superbac no mes passado

Durante a visita, o professor Zoz apresentou o experimento conduzido em Maripá-PR ao pesquisador americano. Esta apresentação contou com a presença dos alunos da UEMS/Mundo Novo dos cursos de Agronomia e Tecnologia em Gestão Ambiental que trabalham no projeto, Benjamin Abel dos Santos, Bruno Rafael Simbre Barbosa, Carlos Eduardo Skittberg Pestana, Lucas Henrique de Oliveira Gaiola e Carlos Alberto Lovera, também esteve presente o professor Jean Sérgio Rosset, coordenador do curso de Agronomia de Mundo Novo, e integrante do projeto.

Perspectivas do projeto

Após a visita, além do planejamento de alguns estudos em ambiente controlado, ficou definido que serão implantados mais dois experimentos, além dos três experimentos já implantados.

Será implantado mais um experimento nos Estados Unidos, sob responsabilidade do Dr. Witt, e mais um experimento no Brasil, em solo arenoso no Cerrado, em Cassilândia – MS, sob coordenação do professor Cassio de Castro Seron. Zoz destaca que desta forma, ao longo dos anos poderemos comparar o desempenho do fertilizante organomineral em dois tipos de solo (arenoso e argiloso), dois biomas (Mata Atlântica e Cerrado), e em dois países com formas distintas de manejo das culturas (Brasil e Estados Unidos).

Dr. Witt explanou em sua visita ao Brasil que os fertilizantes organominerais foram estudados no Estados Unidos por volta de 1970, entretanto, devido a falta de tecnologia adequada para sua produção, a ideia acabou sendo deixada de lado. Atualmente não existe produção de fertilizante organomineral nos Estados Unidos, e o projeto é inovador e vem recebendo cada vez mais atenção por parte de outros pesquisadores no país.

Internacionalização da UEMS e parceria com o setor privado

Para o professor Zoz, “a inserção da UEMS na sociedade também ocorre com ações como esta, trazendo soluções e auxiliando no desenvolvimento de produtos para o setor privado”, ressalta. O docente também destaca o fortalecimento da internacionalização da UEMS. “Este convênio promove a troca de informações entre pesquisadores de ambos os países e permite o intercâmbio dos pesquisadores e estudantes envolvidos no projeto. Os estudantes envolvidos no projeto podem realizar estágios e desenvolver atividades do projeto nos Estados Unidos; o mesmo também ocorre para a possibilidade de realização de pós-doutorado por parte dos pesquisadores da UEMS envolvidos no projeto”, finaliza. (Com informações do professor Tiago Zoz)

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