XV Seminário em Educação e X Colóquio de Pesquisa

O XV Seminário de Educação e o X Colóquio de Pesquisa são eventos científicos promovidos pelo curso de Pedagogia, pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PGEDU) e pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação (CEPEED) da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade Universitária de Paranaíba. Ao longo de suas edições, os eventos têm se constituído como espaços de socialização de pesquisas, debates e interlocuções entre pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais da Educação Básica e do Ensino Superior, fortalecendo a produção científica e a reflexão crítica acerca dos desafios contemporâneos da educação. Nesta edição, o tema é “Plataformização da educação: implicações para a formação e o trabalho docente”, convida a comunidade acadêmica a refletir sobre um dos fenômenos mais significativos que vêm reconfigurando os sistemas educacionais nas últimas décadas.
Com a rápida expansão das Tecnologias Digitais, das plataformas educacionais, das Inteligências Artificiais Generativas (IAGs) e dos sistemas baseados em dados têm produzido mudanças significativas nas formas de ensinar, aprender, avaliar, gerir e produzir conhecimento. Para além da incorporação dos artefatos tecnológicos, observa-se um movimento de fortalecimento do processo de Plataformização da Educação, compreendido como a gradativa inserção das plataformas digitais na organização de práticas pedagógicas, de gestão escolar, na formação docente e das políticas educacionais reconfigurando relações entre Estado, instituições educacionais, empresas de tecnologia, professores e estudantes.
Apesar da pandemia de Covid-19 ter acelerado a adoção dessas tecnologias, seus desdobramentos ultrapassam o contexto emergencial do ensino remoto. As plataformas digitais se intensificaram como infraestruturas permanentes da educação contemporânea, influenciando processos de ensino, avaliação, comunicação, planejamento, monitoramento e gestão, ao mesmo tempo em que ampliam possibilidades de inovação, colaboração e acesso ao conhecimento, mas também suscitam importantes questionamentos acerca da autonomia docente, da privacidade de dados, da intensificação do trabalho, da transparência algorítmica e da crescente participação de empresas privadas na organização dos sistemas públicos de ensino.
Enquanto o TIC Educação 2024 evidencia que 95% dos professores utilizam tecnologias digitais para tarefas administrativas, 57% analisam dados produzidos pelas plataformas e 78% utilizam recursos de IAGs incorporados aos ambientes digitais, autores como Van Dijck e Poell (2018), Williamson et al. (2022), Selwyn (2017) e Kerssens e Van Dijck (2023) interpretam esse movimento como parte do processo de Plataformização da educação, caracterizado pela reorganização do trabalho pedagógico em torno de ecossistemas digitais, coleta de dados, padronização e gestão algorítmica.
Sob tal perspectiva discutir a Plataformização implica reconhecer que as tecnologias não são neutras. Elas produzem novas formas de mediação pedagógica, reorganizam tempos, espaços e relações de trabalho, influenciam currículos, práticas avaliativas, processos decisórios e modos de produção do conhecimento. Mais do que recursos técnicos, as plataformas constituem ambientes sociotécnicos atravessados por disputas de natureza ética, política, estética e cultural, que exigem análises críticas e interdisciplinares.
Perante tais mudanças, é fundamental consolidar ambientes de debate que estimulem a pesquisa científica orientada por uma leitura crítica da cultura digital e de seus efeitos na formação de professores, no currículo, na administração escolar e nas práticas pedagógicas.