UEMS/Cassilândia: Pesquisador da UEMS lidera criação de Inteligência Artificial inédita que acessa a riqueza trancada no solo do Cerrado - UEMS

UEMS/Cassilândia: Pesquisador da UEMS lidera criação de Inteligência Artificial inédita que acessa a riqueza trancada no solo do Cerrado

UEMS/Cassilândia: Pesquisador da UEMS lidera criação de Inteligência Artificial inédita que acessa a riqueza trancada no solo do Cerrado

A startup FosfoGênese IA traduz a microbiologia do solo em decisões agrícolas de precisão, protegendo a agricultura brasileira

UEMS/Cassilândia: Pesquisador da UEMS lidera criação de Inteligência Artificial inédita que acessa a riqueza trancada no solo do Cerrado
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Pesquisa liderada pelo professor e pesquisador Dr. Renato Lustosa Sobrinho, docente do Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Sustentabilidade na Agricultura (PGAC) da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), unidade universitária de Cassilândia, desenvolve solução para resolver gargalo histórico do agronegócio brasileiro, no qual o país importa mais de 80% dos fertilizantes químicos que consome, com os solos tropicais do Cerrado acumulando estoques bilionários de fósforo que as plantas não conseguem absorver. Por isso o professor e sua equipe sócia criaram a FosfoGênese IA, uma solução Deep Tech baseada em Inteligência Artificial que une ciência, tecnologia e mercado em uma criação sob medida para a agricultura tropical.

A startup idealizada pelo professor Renato Lustosa Sobrinho, em parceria com pesquisadores e especialistas multidisciplinares, acaba de ser selecionada pelo Programa Centelha MS, garantindo cerca de R$ 140 mil (cento e quarenta mil reais) em subvenção econômica para a validação e prototipagem final do sistema.
 

Inovação científica brasileira

A novidade científica da FosfoGênese IA não está no uso de microrganismos isolados, mas na arquitetura do seu sistema preditivo avançado. O ineditismo da plataforma consiste no cruzamento estocástico (análise probabilística que considera as incertezas e variações do ambiente) de variáveis agronômicas complexas, combinando características moleculares e físicas do solo do Cerrado, dados meteorológicos históricos e a dinâmica populacional de microrganismos benéficos.

Por meio de modelos de Machine Learning e Lógica Fuzzy (capaz de lidar com as incertezas do ambiente natural), a ferramenta prescreve a recomendação biológica exata por talhão (subdivisão de uma propriedade rural, como os lotes de divisão da lavoura). Ao contrário de softwares internacionais desenvolvidos para solos de clima temperado, o algoritmo brasileiro foi treinado especificamente para a dinâmica dos solos tropicais argilosos, onde a presença severa de ferro e alumínio retém o fósforo no solo.

“O solo do Cerrado funciona como um cofre. Ao longo de décadas de adubação, acumulamos ali o chamado fósforo legado, um estoque enorme do nutriente. Mas nos nossos Latossolos, ácidos e ricos em óxidos de ferro e alumínio, grande parte desse fósforo fica adsorvida ou precipitada em formas pouco solúveis, e a planta não consegue absorvê-lo. O resultado é que, em geral, só uma pequena parte do fósforo aplicado é aproveitada pela cultura, e o produtor continua comprando fertilizante importado enquanto tem essa riqueza imobilizada no solo. Microrganismos solubilizadores, como bactérias e fungos que produzem ácidos orgânicos e enzimas fosfatases, conseguem abrir esse cofre. Só que a eficiência deles depende do pH, da textura e do teor de matéria orgânica do solo, do clima e da comunidade microbiana de cada talhão. Por isso, até hoje, a escolha do inoculante tem sido feita na base da tentativa e erro. A nossa inteligência artificial é a chave desse cofre. A FosfoGênese IA foi treinada especificamente para os solos tropicais e integra todas essas variáveis em um único modelo. Assim, ela prescreve, talhão por talhão, a solução biológica com maior probabilidade de liberar o fósforo que já está no solo. É ciência brasileira transformando um passivo histórico do Cerrado em economia para o produtor”, explica o pesquisador.
 

Impacto econômico e sustentabilidade

A tecnologia transforma dados experimentais complexos em uma ferramenta prática de auxílio à tomada de decisão para agrônomos e produtores rurais, eliminando a tentativa e erro na escolha de inoculantes biológicos.

Em termos de impacto de escala, a inovação reduz a dependência de fertilizantes químicos importados. Além do ganho financeiro, o manejo de precisão previne o descarte de resíduos fosfatados nos cursos d’água, ajudando a proteger biomas sensíveis do estado, como o Pantanal.

Conforme relata o Dr. Renato Lustosa, “os fertilizantes já são o principal item do custeio das lavouras em Mato Grosso do Sul e respondem por cerca de 40% do custo de produção. Dentro disso, o fósforo pesa muito: para fazer a correção de fósforo de acordo com a recomendação técnica, o produtor sul-mato-grossense deveria gastar, em média, no mínimo uns R$ 750 por hectare. Considerando os quase 5 milhões de hectares de lavouras do estado, isso representa cerca de R$ 3,5 bilhões, e quase todo esse fósforo vem de fora do país. Se conseguirmos reduzir de 15% a 20% dessa adubação mantendo a produtividade, a economia fica entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões por safra só em Mato Grosso do Sul. Em cinco safras, ela passa de R$ 2,5 bilhões. É um dinheiro que deixa de ir para o exterior e fica no campo, com o produtor”.


Conexão entre a universidade e o mercado

Composta por uma equipe multidisciplinar que reúne os professores Renato Lustosa e Tiago Zoz (UEMS), o matemático Bruno Rodrigues de Oliveira (egresso da UEMS), o gestor comercial Bruno Aparecido Fronk, além de consultores da Embrapa e Unesp, a startup é um exemplo claro de como a formação oferecida pela universidade pública pode inspirar a conversão de conhecimento científico em bioeconomia real.

“Fiz minha graduação e meu mestrado na UEMS, e tudo o que aprendi ao longo dessa formação me deu a base para enxergar esse problema e pensar na ideia da FosfoGênese IA. Isso mostra a importância de uma universidade pública no interior de Mato Grosso do Sul: ela forma profissionais que conhecem de perto a realidade do produtor do Cerrado e que se sentem capazes de empreender e criar tecnologia de ponta para o agro. Quero devolver um pouco do que recebi. Por isso, pretendo criar projetos de extensão para ensinar jovens das escolas da região a empreender, mostrando que uma boa ideia, aliada ao conhecimento, pode virar um negócio de verdade. Para mim, a aprovação no Programa Centelha MS é a prova de que o conhecimento construído no interior pode virar negócio, emprego e desenvolvimento para o estado”, finaliza Renato Lustosa.