UEMS/Cassilândia: Pesquisa liderada por Profissional Técnico da UEMS pode impulsionar inovação agrícola internacional - UEMS

UEMS/Cassilândia: Pesquisa liderada por Profissional Técnico da UEMS pode impulsionar inovação agrícola internacional

UEMS/Cassilândia: Pesquisa liderada por Profissional Técnico da UEMS pode impulsionar inovação agrícola internacional

O estudo resultou em descobertas capazes de transformar o mercado de sementes

UEMS/Cassilândia: Pesquisa liderada por Profissional Técnico da UEMS pode impulsionar inovação agrícola internacional
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Uma parceria entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Universidade Estadual Paulista (UNESP), a Embrapa e instituições internacionais resultou em descobertas capazes de revolucionar a forma de comercialização de sementes e inoculantes biológicos no Brasil.


O que são inoculantes agrícolas?

Um inoculante agrícola é um produto que contém microrganismos benéficos, como bactérias e fungos, que promovem o desenvolvimento das plantas, aumentam a produtividade e melhoram a saúde do solo. Ele funciona intensificando processos naturais, como a fixação de nitrogênio do ar para torná-lo disponível como alimento para a planta, além de auxiliar na mobilização de outros nutrientes e na proteção contra patógenos. 

Cooperação nacional e internacional

Equipe de Cooperação nacional e internacional - Brasil, Bélgica e Arábia Saudita

O primeiro autor do estudo, Renato Lustosa Sobrinho, é Profissional Técnico da UEMS e pesquisador associado da University of Antwerp, na Bélgica. O trabalho foi desenvolvido no Brasil e na Bélgica, sob orientação da Profa. Dra. Taciane Finatto do Programa de Pós-graduação em Agronomia da UTFPR, e contou com uma ampla rede de colaboração entre universidades nacionais e estrangeiras (UEMS, UTFPR, UNESP, UFMS, University of Antwerp e Princess Nourah University) evidenciando o papel estratégico da cooperação científica internacional na geração de conhecimento aplicado ao setor agrícola.

A pesquisa resultou em um artigo, assinado também pela Dra. Christiane Abreu de Oliveira Paiva, pesquisadora da Embrapa e vencedora do BRICS Solutions Award; o Dr. Marcelo Carvalho Minhoto Teixeira Filho (UNESP); o Dr. Bruno Rodrigues de Oliveira (Pantanal Editora); o Dr. Tiago Zoz e o Dr. Carlos Eduardo da Silva Oliveira, ambos da UEMS; o Dr. Guilherme Carlos Fernandes (UNESP); a Dra. Karina da Silva Souza (UNESP); o Dr. Gerrit T. S. Beemster e o Dr. Hamada Abd Elgawad (University of Antwerp); além de Afrah E. Mohammed, Modhi O. Alotaibi e Seham M. Hamed (Princess Nourah bint Abdulrahman University, Riyadh, Arábia Saudita).


Agricultura Sustentável: um novo padrão no agronegócio brasileiro

O estudo, intitulado “Mitigating drought effects in maize with Trichoderma harzianum (strain – ESALQ 1306): a bioinoculant for sustainable agriculture”, evidenciou algo muito importante: ainda que os inoculantes biológicos sejam amplamente promovidos como benéficos para diferentes culturas, genótipos distintos podem responder de forma diferente ao mesmo produto. Em outras palavras, um inoculante altamente eficaz para uma cultivar pode não apresentar o mesmo desempenho em outra. O artigo científico está disponível em: https://pse.agriculturejournals.cz/corproof.php?tartkey=pse-000004-6176.

Conforme explica o professor Tiago Zoz, essa conclusão traz um alerta importante para o setor: atualmente, a compatibilidade entre cultivares e inoculantes raramente é informada no momento da compra, o que pode resultar em investimentos de baixa eficiência. Os autores sugerem que empresas de melhoramento genético e fabricantes de bioinoculantes passem a divulgar a compatibilidade genótipo–bioinoculante, estabelecendo um novo padrão de transparência e eficiência no agronegócio brasileiro.

A criação de uma tabela de compatibilidade entre cultivares e inoculantes é uma das propostas do grupo, com o objetivo de auxiliar produtores na escolha de produtos comprovadamente eficazes. Essa medida poderia reduzir desperdícios, otimizar investimentos e aumentar a produtividade agrícola, além de gerar subsídios para o aprimoramento da legislação e fortalecer programas de melhoramento genético e a comercialização de sementes no Brasil.

O estudo também apresentou resultados expressivos com o uso de Trichoderma harzianum (ESALQ 1306), demonstrando que o fungo, além de atuar como agente de controle biológico, é um promotor de crescimento vegetal. Em condições de deficiência hídrica, as plantas tratadas com o bioinoculante apresentaram até 60% de aumento na produtividade, evidenciando seu potencial para a agricultura em regiões sujeitas ao estresse hídrico.

Figura 1 - aplicação de produtos biológicos no amendoim conduzidos na safra 2024/2025 na área experimental da Agrisoluções Soluções Biológicas, em Mundo Novo (MS)
Figura 2 - experimentos com milho inoculado com Trichoderma harzianum (ESALQ 1306) em ambiente controlado para reduzir o efeito de variáveis externas
Figura 3 - Avaliação da zona de crescimento da quinta folha das plantas de milho e coleta de material para análise genômica e metabolômica.


Aplicativo para produtores rurais

A pesquisa impulsionou novas iniciativas em parceria entre a UEMS e a empresa Agrisoluções Soluções Biológicas. Os pesquisadores Dr. Renato Lustosa Sobrinho e Dr. Tiago Zoz (UEMS), em conjunto com os engenheiros agrônomos Bruno Aparecido Fronk, Thiago Martins dos Santos e Adilson de Lima Leite, estão desenvolvendo uma plataforma digital e um aplicativo voltados a auxiliar produtores rurais na tomada de decisão sobre o uso de inoculantes.


Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PGAC) em destaque

É importante destacar que Bruno Aparecido Fronk e Thiago Martins dos Santos são discentes do Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Sustentabilidade na Agricultura (PGAC) da UEMS, enquanto Renato Lustosa Sobrinho é egresso do mesmo programa. Todos orientados pelo Prof. Dr. Tiago Zoz, coordenador do Centro de Estudos e Inovações em Sequestro de Carbono (CEISCO) e bolsista de Produtividade Fundect/CNPq. 

Com investimento de R$ 514.200,00, o projeto integra a Chamada Fundect/SEMADESC/FINEP 19/2024 – TECNOVA 3 MS e visa fortalecer a integração entre inteligência artificial, biotecnologia e agricultura sustentável.

“Estamos trabalhando para tornar a inoculação mais eficiente, conectando pesquisa, tecnologia e prática agrícola para que o produtor tenha acesso a informações seguras e baseadas em evidências”, destacam os pesquisadores Renato Lustosa Sobrinho e Tiago Zoz.

“Esses resultados reforçam o protagonismo dos profissionais da UEMS, entre docentes, técnicos e discentes, bem como destaca a qualidade do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Unidade de Cassilândia, que têm se destacado na produção de conhecimento científico e tecnológico voltado ao desenvolvimento da agricultura nacional e internacional. Assim, a UEMS consolida-se como referência nacional e internacional em inovação, sustentabilidade e cooperação científica global. É a UEMS consolidando seu papel como centro de formação e excelência científica no Estado”, concluem os pesquisadores da UEMS.