A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) participou, nesta terça-feira (3), do II Fórum MS Sustentabilidade, realizado no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande. O evento reuniu representantes de instituições públicas, universidades, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir os desafios e as oportunidades do desenvolvimento sustentável, com foco no Corredor Bioceânico de Capricórnio e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.
Representando o reitor Laércio Alves de Carvalho, a pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEC), professora doutora Érika Kaneta Ferri, participou da programação oficial do Fórum. A universidade também apresentou projetos e soluções tecnológicas desenvolvidos por pesquisadores da instituição, com aplicações nas áreas de saúde, produção agropecuária, meio ambiente e acessibilidade.
Para a pró-reitora, a participação da UEMS representa uma oportunidade de ampliar parcerias e dar visibilidade às iniciativas que a instituição já desenvolve em sintonia com os desafios regionais e as agendas globais de sustentabilidade. "É uma oportunidade muito grande para a UEMS não apenas demonstrar suas potencialidades, mas também apresentar o que já estamos desenvolvendo nesse contexto", destacou.
Érika lembrou que a universidade participa há mais de uma década das discussões relacionadas à Rota Bioceânica, acumulando experiências em projetos de pesquisa, extensão e cooperação institucional. Segundo ela, essa trajetória fortalece o papel da UEMS na construção de alternativas para o desenvolvimento regional.
A pró-reitora também ressaltou a importância de integrar os ODS às atividades acadêmicas, especialmente às iniciativas de inclusão social e enfrentamento das vulnerabilidades. "A universidade precisa estar atenta a essas agendas globais, principalmente com foco na formação dos nossos estudantes", afirmou.
Érika também integra a programação do Fórum no painel dedicado ao capital humano e ao desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, que discute a contribuição das instituições de ensino para a formação profissional, a inclusão social e as transformações econômicas e territoriais associadas ao Corredor Bioceânico.
Tecnologia auxilia na reabilitação de pessoas após AVC
Entre as inovações apresentadas pela UEMS está o Postural, aplicativo desenvolvido pelo professor Dr. Olibário José Machado Neto, coordenador do curso de Sistemas de Informação da Unidade Universitária de Nova Andradina. A tecnologia busca auxiliar na reabilitação de pessoas que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC), demonstrando como a Computação pode contribuir para a recuperação funcional e a melhoria da qualidade de vida.
Doutor em Ciências de Computação e Matemática Computacional pela Universidade de São Paulo (USP), com experiências acadêmicas na Inglaterra e nos Estados Unidos, o pesquisador destaca o potencial social da ferramenta, especialmente por sua contribuição para a redução das desigualdades no acesso a soluções tecnológicas voltadas à saúde. "Estou muito feliz por representar a UEMS e compartilhar essa solução com a sociedade civil, com as autoridades presentes e com possíveis investidores. Acredito que é um aplicativo que contribui para a redução das desigualdades", afirmou.
Segundo Olibário, a participação no Fórum também representa uma oportunidade de ampliar a divulgação da pesquisa, estabelecer parcerias e aproximar a tecnologia de possíveis investidores, fortalecendo as perspectivas de aplicação social do projeto.
Na área da produção animal, a professora Dra. Fabiana de Andrade Melo Sterza, da Unidade Universitária de Aquidauana, apresentou uma iniciativa voltada ao aprimoramento das tecnologias de reprodução animal. O trabalho busca aumentar a eficiência dos processos produtivos e contribuir para a redução dos impactos ambientais da atividade pecuária.
Segundo a pesquisadora, o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes pode contribuir para uma produção sustentável, ao otimizar os resultados reprodutivos e reduzir a necessidade de manutenção de um número maior de animais para alcançar os mesmos resultados. "É uma oportunidade muito interessante de mostrar o que nós, como universidade, temos desenvolvido para atender a essa demanda da sustentabilidade. O foco do nosso trabalho é otimizar os resultados das tecnologias de reprodução animal, justamente para tornar a produção mais sustentável", explicou.
O professor Dr. Edwaldo Henrique Bazana Barbosa também destacou a diversidade de projetos apresentados pela UEMS, que abrangem o desenvolvimento de bioinsumos, a pesquisa científica e a inovação no Pantanal, tecnologias de reprodução animal e soluções de acessibilidade para pessoas com deficiência.
De acordo com o pesquisador, essas iniciativas demonstram como o conhecimento produzido na universidade pode contribuir simultaneamente para a preservação ambiental, a inclusão social e o fortalecimento das atividades econômicas. "Além de proteger a dignidade humana, a gente também protege o nosso meio ambiente e traz mais inovação para a Rota Bioceânica, por meio de uma produção cada vez mais sustentável", ressaltou.
Corredor Bioceânico e desenvolvimento regional
Realizado nos dias 2 e 3 de novembro, o II Fórum MS Sustentabilidade teve como tema central o Corredor Bioceânico de Capricórnio, projeto de integração territorial que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, estabelecendo uma ligação estratégica entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
A programação contemplou debates sobre adaptação às mudanças climáticas, economia regenerativa, desenvolvimento territorial, capital humano, saúde e inovação, relacionando essas questões aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
O evento também incluiu a apresentação final dos projetos do I Desafio dos ODS – Corredor Bioceânico de Capricórnio, iniciativa voltada à identificação de propostas e soluções sustentáveis para os territórios envolvidos na rota.
A participação da UEMS reforça o papel da universidade pública na produção e na aplicação do conhecimento científico, aproximando pesquisadores, instituições e sociedade. Com atuação em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, a instituição contribui para que as oportunidades relacionadas ao Corredor Bioceânico sejam acompanhadas por iniciativas de inclusão, inovação e responsabilidade socioambiental.