No último dia 07 de agosto, a DRI iniciou os encontros do Grupo de Trabalho que construirá uma Política e Planejamento Linguístico Institucional com o objetivo de reduzir os impactos que a falta de um ambiente plurilíngue e de conhecimento em outras línguas pode provocar na universidade, em especial no âmbito da internacionalização e glocalização da ciência que produzimos.
Falar outras línguas é considerado um saber acadêmico essencial pelas diversas escolas universitárias do mundo. No passado, as línguas oficiais ensinadas eram o sânscrito, grego, hebraico, aramaico, latim, línguas estas que guardavam ensinamentos importantes sobre as civilizações e eram utilizadas como línguas francas de acesso às diversas sociedades. Nos últimos duzentos anos o Francês e o Inglês também ocuparam esse espaço, tendo em vista que os povos de nações Francófonas e Anglófonas deram grandes contribuições para a ciência e a ressignificação dos modos de vida em sociedade.

Em um mundo globalizado, e cada vez mais oprimido pelas imponências do capital, saber línguas adicionais é uma forma de resistência, tendo em vista que para responder às pressões da exploração e obstrução das identidades locais, os sujeitos precisam comunicar suas dores e as violências que sofrem ao mundo na tentativa de se representarem nas esferas de comunicação, que muitas vezes apagam as historicidades locais e a beleza de seus territórios. No âmbito das práticas acadêmicas, saber várias línguas adicionais é também uma estratégia essencial para a internacionalização, uma vez que é dialogando com os outros é que se leva os saberes produzidos em nossa universidade para outros países e que, também, se busca chancela para a validação da efetividade das práticas acadêmicas que desenvolvemos.
Ademais, ao educarmos linguisticamente a comunidade universitária para o plurilinguismo, damos aos nossos estudantes uma potencialidade ímpar para que eles acessem outras formas de se pensar e fazer ciência, enriquecendo o repertório do que sabemos e ensinamos. As línguas não são meras ferramentas de comunicação, do contrário, elas são mecanismos de acesso e construção das identidades, sociedades, diálogos, assim como lugares de memória.
É a partir dessas perspectivas que o Grupo de Trabalho tem discutido inúmeras questões, dentro da UEMS, no âmbito da formação linguística e práticas comunicativas em outras línguas. No primeiro encontro, os especialistas nas diversas línguas relataram que nosso desafio é grande, mas precisamos urgentemente fomentar o plurilinguismo em nossa instituição porque temos perdido a oportunidade de acessarmos saberes riquíssimos das comunidades locais indígenas, assim como de dialogarmos com nossos irmãos latino-americanos que também podem nos ensinar muito sobre o nosso contexto e cultura local.
Foi tematizado também a importância de nos educarmos para o aprendizado das línguas francas hegemônicas, como o inglês e francês, e valorizarmos as artes, a literatura e as vivências culturais em nossa universidade, como espaços naturais da formação acadêmica. Afinal é na e pelo acesso à cultura nas suas amplas formas de manifestação é que construímos repertórios que nos permitem acessar as memórias que as línguas portam e, a partir delas ressignificarmos nossos pontos de visa sobre nossos mundos e a ciência que fazemos.