Histórico
Em abril de 2013, na reunião conjunta de colegiado dos cursos de Ciências Biológicas-Licenciatura e Tecnologia em Gestão Ambiental discutiu-se sobre a criação de um curso Stricto Sensu (demanda de docentes da rede pública e de egressos da UUMN que trabalham na região na área Ambiental nos setores públicos e privados).
Formada a comissão e as atividades de trabalho a proposta foi submetida, contudo não foi aprovada. Repetimos o processo em 2014 e 2019, também sem sucesso. Apesar das negativas as sugestões dos avaliadores, serviram para instigar a maturidade do corpo docente, ampliar o investimento público e privado, além de aumentar o apoio da sociedade do Cone-sul. A necessidade de cursos de Pós-Graduação para atender a sociedade do Cone-sul e Sul Fronteira do Mato Grosso do Sul (MS) é visível, pois se trata de regiões com intenso impacto ambiental (principalmente o desmatamento), com características edafoclimáticas e hidrológicas (bacia sedimentar, relevo plano e verão chuvoso e inverno seco) que favorecem a produção agropecuária e a piscicultura, com culturas sociais diversas e demandas socioeconômicas fronteiriças. Mesmo com esse cenário, essa região do Mato Grosso do Sul ainda possui rica biodiversidade e inúmeras paisagens naturais, pois sua vegetação é heterogênea e categorizada como Zona de transição Cerrado-Mata Atlântica e compõe várias Unidades de Conservação da Floresta Úmida do Alto Rio Paraná (WWF) e ainda favorece considerável biodiversidade da fauna e flora. Cabe ressaltar que, apesar de ser o estado menos populoso do Centro-Oeste, o MS tem grandes proporções de áreas desmatadas (madeira, agricultura e pecuária) e seu território é drenado por duas grandes bacias hidrográficas (rio Paraná e rio Paraguai).
O MS possui o segundo maior contingente populacional indígena do país, e, grande parte desta população está na região supracitada, somada a população indígena temos imigrantes de vários estados brasileiros e de outros países (China, Líbano, Paraguai, Portugal, Japão, Bolívia, entre outros) que colonizaram o MS para fins agropecuários, extrativismo, subsistência e comercialização na fronteira com o Paraguai, estas atividades fomenta a socioeconomia das regiões Cone-sul e Sul fronteira. Apesar disso, a maioria dos municípios destas regiões possui os menores valores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado, consideráveis índices de analfabetismo infantil e menores valores do Índice de Responsabilidade Social (IRS). Ademais, o Plano de Desenvolvimento Regional (PDR) 2010- 2030 de Mato Grosso do Sul destaca essa porção sul do estado como extremamente precária, devendo ser priorizada para ações públicas sociais (SEMAC, 2013).
Fato importante da região do Cone Sul/Fronteira Sul do Estado é a dinâmica socioambiental fronteiriça entre Brasil e Paraguai. A fronteira é interessante para estudos ambientais e gestão da biodiversidade. A apropriação e uso dos recursos naturais nessa região de fronteira tem um histórico de exploração conflituoso, pois o desmatamento para extração de madeira e atividades agrossilvipastoris foram, e, são ainda intensos. Contudo, com a crescente preocupação ambiental e no atual contexto das mudanças climáticas, as fronteiras tendem a preservar fragmentos de paisagens naturais e/ou recuperadas para atender a manutenção de boas relações entre os países vizinhos. A tendência é a criação de áreas protegidas fronteiriças. Sendo assim, o Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Sustentabilidade Ambiental, também terá o enfoque ecossistêmico e de paisagem para auxiliar na gestão de áreas protegidas pensadas no âmbito regional, nacional e internacional.
Diante do desafio do desenvolvimento sustentável, da importância da região, das necessidades e deficiências apresentadas (semelhantes às características de outras zonas de transição do Brasil), formou-se um grupo de trabalho, para discutir a formação necessária de capacitação direcionada aos profissionais da região, para trabalharem na conservação e preservação de ecossistemas e recursos hídricos, na elaboração de tecnologias inovadoras para o desenvolvimento sócio ambiental e das regiões e do Brasil, bem como trabalharem com instituições, governança e políticas públicas. Assim, nasceu o interesse pela área de Ciências Ambientais das avaliações dos Programas de Pós-graduação pela CAPES.