Indicadores de uso
1. Apresentação
O Centro de Estudos em Recursos Naturais (CERNA) da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), sediado na Unidade Universitária de Dourados, disponibiliza à comunidade científica uma infraestrutura analítica multiusuária composta por equipamentos de alta complexidade tecnológica, distribuídos em quatro laboratórios temáticos. Esta estrutura atende tanto pesquisadores vinculados à UEMS (usuários internos) quanto pesquisadores de outras instituições de ensino superior e institutos de pesquisa (usuários externos), além de dar suporte a atividades didáticas em nível de graduação e pós-graduação.
Os equipamentos estão organizados nos seguintes laboratórios: (1) Laboratório Multidisciplinar de Análise Espectroscópica (LAMAE), com sete equipamentos de espectroscopia óptica e difração de raios X; (2) Laboratório Multidisciplinar de Análises Eletroquímicas (LAMAEQ), com três equipamentos de potenciostasia e impedância; (3) Laboratório de Nanotecnologia e Nanomateriais (LNNC), com quatro equipamentos de suporte a pesquisas biológicas e ambientais; e (4) Laboratório de Química Ambiental, com o analisador de estabilidade oxidativa.
Para cada equipamento são apresentadas informações sobre suas principais aplicações e a distribuição percentual do tempo de uso em 2025, organizada em quatro categorias: pesquisadores internos (UEMS), pesquisadores externos (outras IES), atividades de aula e manutenção. As informações consolidadas refletem o papel estratégico do CERNA no desenvolvimento científico regional e nacional e o compromisso institucional com a transparência no uso da infraestrutura pública de pesquisa.
2. Categorias de Uso
Os gráficos de distribuição de uso apresentados neste relatório utilizam o seguinte código de cores:

3. Equipamentos da Estrutura Multiusuária
LABORATÓRIO MULTIDISCIPLINAR DE ANÁLISE ESPECTROSCÓPICA (LAMAE)
CERNA #1.1 – Espectrofotômetro de Absorção no Infravermelho Médio por Transformada de Fourier (FTIR)
O FTIR é uma das técnicas mais versáteis para a identificação de grupos funcionais e a caracterização química de compostos orgânicos e inorgânicos. No LAMAE/CERNA, é aplicado na caracterização de biomassa e matéria orgânica do solo, análise de compostos naturais (ligninas, celulose, proteínas), controle de qualidade de polímeros e biopolímeros, caracterização de materiais vítreos e cerâmicos dopados com elementos de terras raras, análise de contaminantes orgânicos e fármacos, e identificação de minerais em solos e sedimentos. O acessório ATR de diamante permite análises rápidas sem preparo de amostra, o que garante alta frequência de uso tanto por pesquisadores quanto em atividades de ensino.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 1. Distribuição percentual do tempo de uso do Espectrofotômetro de Absorção no Infravermelho Médio por Transformada de Fourier (FTIR) (CERNA #1.1) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 52%; Pesquisadores Externos: 30%; Atividade de Aula: 12%; Manutenção: 6%.
CERNA #1.2 – Espectrofluorímetro
O espectrofluorímetro é essencial para estudos de luminescência, fotofísica e análise de compostos fluorescentes. No LAMAE/CERNA, é empregado em pesquisas com vidros e materiais dopados com íons de terras raras, nanopartículas luminescentes de prata e ouro, compostos bioativos de plantas do Cerrado e Pantanal, e biossensores ópticos. A possibilidade de medidas em temperaturas criogênicas (77 K) é especialmente relevante para estudos de termometria óptica e caracterização de materiais fotônicos.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 2. Distribuição percentual do tempo de uso do Espectrofluorímetro (CERNA #1.2) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 62%; Pesquisadores Externos: 25%; Atividade de Aula: 8%; Manutenção: 5%.
CERNA #1.3 – Difratômetro de Raios X
O difratômetro de raios X é essencial para a caracterização estrutural e cristalográfica de materiais sólidos, sendo utilizado para identificação de fases cristalinas em solos e minerais, caracterização estrutural de vidros e cerâmicas, análise de materiais sintetizados, estudo de polimorfismo e caracterização de nanopartículas. Em 2025, o equipamento permaneceu a maior parte do ano em processo de manutenção corretiva, o que limitou significativamente sua disponibilidade para uso em pesquisa e ensino. A retomada plena das atividades está prevista para 2026 com a conclusão do processo de manutenção.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 3. Distribuição percentual do tempo de uso do Difratômetro de Raios X (CERNA #1.3) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 9%; Pesquisadores Externos: 4%; Atividade de Aula: 2%; Manutenção: 85%.
CERNA #1.4 – Laser de Argônio
O laser de argônio é utilizado como fonte de excitação em experimentos de espectroscopia Raman, lente térmica, espelho térmico e fotoacústica, além de microscopia confocal e estudos de fotoluminescência. No LAMAE/CERNA, é empregado na caracterização de materiais fotônicos, análise de compostos orgânicos e inorgânicos por espectroscopia Raman, e em experimentos de espalhamento de luz por nanopartículas. Em 2025, o equipamento passou metade do ano em manutenção, o que reduziu sua disponibilidade para uso compartilhado.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 4. Distribuição percentual do tempo de uso do Laser de Argônio (CERNA #1.4) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 42%; Pesquisadores Externos: 4%; Atividade de Aula: 4%; Manutenção: 50%.
CERNA #1.5 – Laser de YAG:Nd³⁺ com OPO
O laser de YAG:Nd³⁺ com oscilador paramétrico óptico (OPO) proporciona cobertura espectral sintonizável de 400 a 2000 nm, tornando-o ideal para experimentos de espectroscopia fotoacústica, fototérmica e de emissão induzida por laser. No LAMAE/CERNA, suporta pesquisas em termometria óptica, desenvolvimento de sensores fototérmicos, caracterização de vidros especiais dopados com terras raras e estudos de interação laser-matéria em diferentes regimes de fluência. O equipamento é operado exclusivamente por usuários com treinamento específico.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 5. Distribuição percentual do tempo de uso do Laser de YAG:Nd³⁺ com OPO (CERNA #1.5) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 74%; Pesquisadores Externos: 3%; Atividade de Aula: 5%; Manutenção: 18%.
CERNA #1.6 – Laser Induced Breakdown Spectroscopy (LIBS)
O sistema LIBS permite análises elementares rápidas e simultâneas sem preparo de amostra, sendo aplicado em controle de qualidade de materiais, análise forense, caracterização de solos, metais, ligas e vidros especiais. A técnica é capaz de identificar virtualmente qualquer elemento da tabela periódica em uma única aquisição espectral, com possibilidade de análise in situ e mapeamento elementar bidimensional. O elevado percentual de uso por pesquisadores internos reflete a intensa produção científica associada a esta técnica no CERNA.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 6. Distribuição percentual do tempo de uso do Laser Induced Breakdown Spectroscopy (LIBS) (CERNA #1.6) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 75%; Pesquisadores Externos: 14%; Atividade de Aula: 7%; Manutenção: 4%.
CERNA #1.7 – Espectrofotômetro de Absorção no UV-Vis-NIR
O espectrofotômetro UV-Vis-NIR permite a caracterização óptica completa de materiais sólidos e em solução, cobrindo as regiões do ultravioleta, visível e infravermelho próximo. É utilizado para determinação de band gap óptico em semicondutores e materiais fotovoltaicos, caracterização de transmissão e reflectância de filmes e vidros especiais, análise de compostos de terras raras e nanopartículas, estudo de propriedades ópticas de pigmentos naturais, e avaliação de materiais para fotocatálise.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 7. Distribuição percentual do tempo de uso do Espectrofotômetro de Absorção no UV-Vis-NIR (CERNA #1.7) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 58%; Pesquisadores Externos: 28%; Atividade de Aula: 10%; Manutenção: 4%.
LABORATÓRIO MULTIDISCIPLINAR DE ANÁLISES ELETROQUÍMICAS (LAMAEQ)
CERNA #2.1 – Potenciostato/Galvanostato – Módulo de Baixa Corrente
O potenciostato/galvanostato com módulo de baixa corrente é especialmente adequado para experimentos eletroquímicos de alta sensibilidade, como os realizados com microeletrodos, biossensores enzimáticos e eletrodos quimicamente modificados com nanomateriais. No LAMAEQ/CERNA, é utilizado no desenvolvimento de sensores eletroquímicos para detecção de pesticidas, metais pesados e fármacos em concentrações ultrabaixas, estudos de eletrocatálise em materiais de carbono funcionalizados, e caracterização de superfícies bioativas.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 8. Distribuição percentual do tempo de uso do Potenciostato/Galvanostato – Módulo de Baixa Corrente (CERNA #2.1) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 63%; Pesquisadores Externos: 23%; Atividade de Aula: 8%; Manutenção: 6%.
CERNA #2.2 – Potenciostato/Galvanostato – Módulo de Impedância
O potenciostato/galvanostato com módulo de espectroscopia de impedância eletroquímica (EIS) é o equipamento central para estudos de interfaces eletroquímicas no LAMAEQ/CERNA. A técnica EIS permite a caracterização de revestimentos anticorrosivos, avaliação de mecanismos de corrosão de ligas metálicas, caracterização de materiais para supercapacitores e células a combustível, análise de biossensores baseados em impedância, e estudo de filmes poliméricos condutores.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 9. Distribuição percentual do tempo de uso do Potenciostato/Galvanostato – Módulo de Impedância (CERNA #2.2) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 62%; Pesquisadores Externos: 24%; Atividade de Aula: 8%; Manutenção: 6%.
CERNA #2.3 – mStat-400 Bipotenciostato/Galvanostato
O bipotenciostato mStat-400 possui capacidade de controlar dois eletrodos de trabalho simultaneamente, sendo indispensável para experimentos com eletrodo de disco-anel rotatório (RRDE), onde se investigam mecanismos de reações eletroquímicas como a redução de oxigênio em catalisadores para células a combustível. No LAMAEQ/CERNA, é empregado em pesquisas de materiais eletrocatalíticos, estudos de mecanismos de corrosão e proteção de ligas metálicas, e desenvolvimento de sensores de alta seletividade. O maior percentual de manutenção reflete a complexidade do sistema de dois canais e a necessidade de calibração periódica.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 10. Distribuição percentual do tempo de uso do mStat-400 Bipotenciostato/Galvanostato (CERNA #2.3) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 65%; Pesquisadores Externos: 18%; Atividade de Aula: 5%; Manutenção: 12%.
LABORATÓRIO DE NANOTECNOLOGIA E NANOMATERIAIS (LNNC)
CERNA #3.1 – Estereomicroscópio
O estereomicroscópio possibilita a observação tridimensional de amostras com baixa ampliação e grande profundidade de campo. No LNNC/CERNA, é amplamente empregado em triagem e identificação taxonômica de insetos, análise morfológica de material botânico (flores, sementes, pólen), dissecção e preparação de amostras biológicas, observação de organismos aquáticos, e controle visual de sínteses de nanomateriais. A câmera acoplada permite registro fotográfico para documentação científica e análise morfométrica assistida por software.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 11. Distribuição percentual do tempo de uso do Estereomicroscópio (CERNA #3.1) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 55%; Pesquisadores Externos: 18%; Atividade de Aula: 24%; Manutenção: 3%.
CERNA #3.2 – Micrótomo Rotativo
O micrótomo rotativo é equipamento essencial para o preparo de lâminas histológicas e análise de anatomia vegetal e animal em nível de microscopia de luz. No LNNC/CERNA, é utilizado em pesquisas de anatomia de plantas nativas do Cerrado e Pantanal, histologia animal (tecidos de insetos, peixes e anfíbios), e análise de seções finas de materiais poliméricos. O elevado percentual de uso em atividade de aula reflete sua ampla aplicação didática em práticas de Botânica, Zoologia e Histologia.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 12. Distribuição percentual do tempo de uso do Micrótomo Rotativo (CERNA #3.2) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 56%; Pesquisadores Externos: 15%; Atividade de Aula: 26%; Manutenção: 3%.
CERNA #3.3 – Sonda Multiparâmetro
A sonda multiparâmetro é um equipamento portátil de campo para monitoramento integrado da qualidade da água, com medição simultânea de pH, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, temperatura, turbidez, salinidade e profundidade. No LNNC/CERNA, é amplamente utilizada em estudos de limnologia e qualidade de corpos hídricos da bacia do Alto Paraguai, monitoramento de reservatórios e rios de Cerrado, avaliação do impacto de atividades agropecuárias sobre os recursos hídricos, e caracterização de zonas úmidas do Pantanal.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 13. Distribuição percentual do tempo de uso do Sonda Multiparâmetro (CERNA #3.3) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 50%; Pesquisadores Externos: 30%; Atividade de Aula: 18%; Manutenção: 2%.
CERNA #3.4 – Câmara de Fluxo Laminar (Capela de Fluxo)
A câmara de fluxo laminar é equipamento de biossegurança indispensável para procedimentos que requerem condições estéreis. No LNNC/CERNA, é utilizada em síntese de nanopartículas em condições controladas, cultivo de microrganismos, manipulação de materiais biológicos sensíveis à contaminação, preparo de amostras para análises moleculares, bioensaios ecotoxicológicos e crescimento de cristais. O equipamento protege simultaneamente o pesquisador, a amostra e o ambiente de trabalho.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 14. Distribuição percentual do tempo de uso do Câmara de Fluxo Laminar (Capela de Fluxo) (CERNA #3.4) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 60%; Pesquisadores Externos: 18%; Atividade de Aula: 17%; Manutenção: 5%.
LABORATÓRIO DE QUÍMICA AMBIENTAL
CERNA #4.1 – Analisador de Estabilidade Oxidativa (Método Rancimat)
O analisador de estabilidade oxidativa (método Rancimat) é um equipamento especializado para avaliação da resistência à oxidação de óleos vegetais, gorduras e biodiesel. No Laboratório de Química Ambiental/CERNA, é utilizado em pesquisas sobre qualidade e estabilidade de óleos de espécies oleaginosas nativas e cultivadas do Cerrado, avaliação da eficiência de antioxidantes naturais e sintéticos, controle de qualidade de biodiesel segundo a norma EN 14112, e estudos sobre o impacto do processamento na estabilidade de óleos funcionais. O equipamento suporta a linha de pesquisa em biocombustíveis e aproveitamento de oleaginosas nativas, com potencial para aplicações agroindustriais no estado de Mato Grosso do Sul.
Distribuição de Uso em 2025:

Figura 15. Distribuição percentual do tempo de uso do Analisador de Estabilidade Oxidativa (Método Rancimat) (CERNA #4.1) no CERNA/UEMS em 2025. Pesquisadores Internos UEMS: 63%; Pesquisadores Externos: 25%; Atividade de Aula: 6%; Manutenção: 6%.
4. Considerações Finais
Os dados consolidados neste relatório demonstram o papel estratégico da Estrutura Multiusuária do CERNA/UEMS como plataforma de integração interinstitucional e de formação científica qualificada. Em todos os laboratórios, os pesquisadores internos à UEMS respondem pela maior parcela de uso, refletindo a intensa atividade de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais (PGRN) e dos grupos vinculados ao Centro.
A participação expressiva de pesquisadores externos — representando, em média, 14% a 30% do tempo de uso por equipamento — atesta o reconhecimento nacional da infraestrutura e sua relevância para a rede científica da região Centro-Oeste. O perfil de uso em atividades de aula é heterogêneo entre os laboratórios: é mais expressivo nos equipamentos do LNNC — estereomicroscópio e micrótomo rotativo — que apoiam práticas didáticas de Botânica, Zoologia e Histologia, e proporcionalmente menor nos equipamentos de laser e eletroquímica avançada, cujo nível de especialização os reserva prioritariamente para a pesquisa.
Em 2025, dois equipamentos do LAMAE apresentaram indisponibilidade significativa por razões de manutenção: o Difratômetro de Raios X, que permaneceu 85% do ano em manutenção corretiva, e o Laser de Argônio, que ficou 50% do período em manutenção. A retomada plena desses equipamentos está prevista para 2026. O CERNA/UEMS reafirma seu compromisso com a ciência aberta, a formação qualificada de recursos humanos e o uso racional e transparente de sua infraestrutura analítica. Pesquisadores interessados em agendar o uso dos equipamentos devem acessar o portal da UEMS (www.uems.br) ou contatar diretamente a coordenação do CERNA.
Dourados-MS, 2025
CERNA – Centro de Estudos em Recursos Naturais
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS)